fevereiro 05, 2009

os bois e as coisas


Hoje senti uma estranha e inesperada leveza quando resolvi dizer o que sentia e usar as palavras para dar nome aos bois. E foi para o último ser a quem eu pensava um dia poder dizê-las. O próximo capítulo não deve aparentar, presumo, uma grande mudança de rumo. Mas agora sob essa aparência jaz aquilo que antes de hoje era intocável.
Nos últimos tempos tenho me surpreendido muito com as coisas.

janeiro 31, 2009

Love is a better word



Lisboa.
Hoje C. insistia que eu ficasse aqui de vez; que desfizesse os laços cariocas e me aportuguesasse; ao que eu respondi jamais - com exclamação.
Ele não entende e eu não soube e não sei explicar que gosto é desse lusco-fusco, desse estar entre, de não me decidir por um ou outro lado da margem; gosto de ter os pés aqui e o meu coração pousado lá, ou o contrário; gosto dessa dorzinha, desse desassossego, dessa coisa incompleta por completar-se, dessa interrogação.
Vá lá alguém como C. entender essas coisas.

janeiro 27, 2009

saudade do Brasil



Hoje vou começar a ler "Conversa de burros, banhos de mar e outras crónicas exemplares", da Cotovia.
Pelos cronistas, mas principalmente porque tenho uma saudade danada da minha terra; porque sei que vou me sentir em casa ao reler Drummond, Rubem Braga, Fernando Sabino, Lima Barreto e uns tantos outros.
Porque daqui nem posso ver a constelação do Cruzeiro do Sul.
Porque não quero esquecer o Brasil; nem quero que o Brasil me esqueça.

janeiro 24, 2009

quero ver pela primeira vez

Há pouco eu dizia a S.: a espera comanda os meus dias. E amanhã é ainda mais incerto do que já foi - o que por um lado prefiro, porque prefiro aquela árvore das possibilidades que li no livro do Kundera. Não fosse assim, sufocaria.
Os prazos que defino vão ficando ainda mais curtos, e eu, sempre lenta, sinto que vou no começo enquanto olho à volta e parece que o sentido é outro, e que o começo já foi há muito.
Será que alguém me ensina a não pensar no tempo que encerra um dia? a não me apegar tanto ao fluir da semana e de todo o resto?
Ah, tão bom se me bastasse gozar a existência como outro dia vi alguém fazer: olhar pro já visto e ver pela primeira vez. Fiquei tão comovida que a princípio nem percebi.

janeiro 01, 2009

primeiro dia


Já vamos entrando no meio da tarde do primeiro dia. 2009.
Minha amiga dorme; recobra das últimas horas agitadas.
Arrumei a cozinha, tratei da roupa, e agora é silêncio. Sagrado silêncio. Volto ao trabalho que preciso entregar na segunda. A chuva ameaça ainda.
Mas hoje nada me abala, reconfortada com a companhia e proximidade desta amizade antiga.
E porque sinto o ânimo sereno para enfrentar o tempo novo, que não sei o que trará.