Um blogue-diário, com textos, fotografias ou o que mais houver. Um blogue intermitente, porque há sempre fases e fases.
novembro 04, 2012
novembro 01, 2012
marcos
Às vezes me vejo num mudo diálogo com certas coisas – aparentemente inanimadas tal como entendemos; mas sei que vida e ânimo são tudo o que elas encerram sem que no entanto o percebamos a não ser... por força de uma súbita ligação. Como se elas conectassem essa vida conosco somente quando um elo sentimental se estabelecesse. (Memória, nem sempre óbvia, ou do que nunca houve, mas de algum modo memória.)
Hoje vi duas fotos. De dois lugares. (Tenho afeto pelos lugares, mesmo aqueles que não foram meus). As fotos desses lugares mostravam uma praça e uma grande pedra. São uma praça e uma pedra das minhas memórias, marcos de momentos da minha vida, da vida de uma coletividade que é minha também. Eu as possuo e elas a mim. Somos eternamente umas das outras. Isso é muito engraçado e muito bom: tenho uma pedra; tenho uma praça. Brinco com elas e, de longe, nos dizemos "olha eu aqui!"
marco: pedra ou estaca que demarca terrenos ou distâncias; fronteira; pedra que assinala um acontecimento; o que serve de referência; aquilo que simboliza um lugar e/ou um acontecimento importante. [F.: Do germânico marka, pelo lat. medv. marcus. Hom./Par.: marco (sm.), marco (fl. de marcar).]
Hoje vi duas fotos. De dois lugares. (Tenho afeto pelos lugares, mesmo aqueles que não foram meus). As fotos desses lugares mostravam uma praça e uma grande pedra. São uma praça e uma pedra das minhas memórias, marcos de momentos da minha vida, da vida de uma coletividade que é minha também. Eu as possuo e elas a mim. Somos eternamente umas das outras. Isso é muito engraçado e muito bom: tenho uma pedra; tenho uma praça. Brinco com elas e, de longe, nos dizemos "olha eu aqui!"
marco: pedra ou estaca que demarca terrenos ou distâncias; fronteira; pedra que assinala um acontecimento; o que serve de referência; aquilo que simboliza um lugar e/ou um acontecimento importante. [F.: Do germânico marka, pelo lat. medv. marcus. Hom./Par.: marco (sm.), marco (fl. de marcar).]
maio 20, 2012
brêtema
brêtema: mijona, "quando molha muito"; orvalhenta, "quando molha algo"; barrufa, "quando as partículas de água são imperceptíveis"; malina, "quando queima as meses, os frutos e as plantas sensíveis"
maio 05, 2012
Soneto II – Mario Faustino
Necessito de um ser, um ser humano
Que me envolva de ser
Contra o não ser universal, arcano
Impossível de ler
À luz da lua que ressarce o dano
Cruel de adormecer
A sós, à noite, ao pé do desumano
Desejo de morrer.
Necessito de um ser, de seu abraço
Escuro e palpitante
Necessito de um dormente e lasso
Contra meu ser arfante:
necessito de um ser sendo a meu lado
Um ser profundo e aberto, um ser amado.
único livro de Mário Faustino (1930-1955)
abril 30, 2012
em franjas
Nesses últimos tempos, quem dera eu soubesse tocar um instrumento. Acho que não um violoncelo, que apuraria o ruim ainda mais, para pior. Porque o violoncelo, mesmo vibrante, tem sempre um timbre melancólico. Não, não, um violoncelo não me faria bem. Já o contrabaixo, mesmo sendo cordas (porque toda a situação exige cordas), seria para outra ocasião.
Mas talvez um violino, rascante, aflito, com nervos, aos gritos. Com certeza arrebentariam as cordas: as cordas não resistiriam ao que eu exigiria delas. Nem os vizinhos, que me viriam bater à porta e dizer "pare!". E eu não saberia o que responder. Talvez dissesse: "mas preciso!"
Esses dias têm sido assim: "cordas" em franjas. Mas que só eu ouço.
(foto de João Amaro)
abril 17, 2012
asa branca
Quando olhei a terra ardendo
Com a fogueira de São João
Eu preguntei, a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Hoje longe muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortá pro meu sertão
Quando o verde dos teus oios
Se espaiar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração
Asa-Branca é uma canção de choro regional (popularmente conhecido como baião) de autoria da dupla Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, composta em 3 de março de1947.
Com a fogueira de São João
Eu preguntei, a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Hoje longe muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortá pro meu sertão
Quando o verde dos teus oios
Se espaiar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração
Asa-Branca é uma canção de choro regional (popularmente conhecido como baião) de autoria da dupla Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, composta em 3 de março de1947.
abril 05, 2012
perto do coração selvagem
Sua felicidade
aumentou, reuniu-se na garganta como um saco de ar. Mas agora era uma
alegria séria, sem vontade de rir. Era uma alegria quase de chorar, meu
Deus.
Clarice Lispector
Perto do coração selvagem
Clarice Lispector
Perto do coração selvagem
abril 01, 2012
março 24, 2012
boa viagem
R.
vi hoje na tv um documentário passado na região do Outback da Austrália, onde só os aborígenes conseguiam sobreviver. Incrível, lindíssimo, imprevisível: a natureza em seu estado mais puro. E, é claro, foi impossível não lembrar que você está indo pra lá por esses dias, e vibrei por isso. A graça das viagens é mesmo esta: reencaixar-nos no mundo (e em nós) de outra forma.
Traz sim um canguruzinho.
Boa viagem.
o uluru
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